quarta-feira, 22 de junho de 2011

REVOLUÇÃO SOCIAL

NOS ÚLTIMOS 14 ANOS, 73% DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS MUDARAM DE CLASSE, DEVIDO AO AUMENTO DA RENDA, UM CONTINGENTE DE 143 MILHÕES DE PESSOAS. TRATA-SE DE UMA MOBILIDADE SUPERIOR À VISTA NOS ESTADOS UNIDOS, NA SUÉCIA E NO CANADÁ EM PERÍODO TÃO CURTO DE TEMPO.

    Muito se tem falado da nova classe média brasileira, um contingente de mais de 30 milhões de pessoas que saiu das camadas mais baixas e se tornou a base de sustentação do consumo no país. Essa é a face mais badalada da mobilidade social vivida pelo Brasil, beneficiado por um período de estabilidade econômica sem precedentes em mais de três décadas. Mas um levantamento da Consultoria IPC Maps, que acaba de sair do forno, revela um movimento de transformação bem mais robusto: 73% das famílias melhoraram de vida e experimentaram algum tipo de ascenção social nos últimos 14 anos.

    Trata-se de uma das maiores taxas de mobilidade vistas no mundo. São 143,8 milhões de brasileiros que passaram a viver melhor e a satisfazer demandas reprimidas ao longo de anos, como a casa própria, o primeiro veículo, a televisão LCD, a internet em casa, a TV a cabo, a viagem de férias com toda a família para a praia - e, acima de tudo, educação e saúde. "O controle da inflação, a formalização do mercado de trabalho e o acesso facilitado ao crédito empurraram os brasileiros para o consumo. Não à toa o país retomou o ciclo sustentado de crescimento, com excelentes perspectivas para o futuro. É  círculo vicioso que funciona perfeitamente", analisa Marco Pazzini , diretor da Consultoria IPC Maps.

    O resultado é que a participação de famílias na base da pirâmide, a classe E, encolheu: pelo menos 20,5 milhões de pessoas deixaram a zona de pobreza, pois viviam com renda familiar de, no máximo, R$ 705, e passaram a ocupar os extratos de renda logo acima, das classes D e C, conforme reforça estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Seguindo o mesmo movimento, outras 2,5 milhões que já estavam na D galgaram os degraus até a C - que hoje totaliza 103 milhões de cidadãos, mais da metade da população do Brasil. Com isso, o orçamento engordou e ficou mais folgado. Mas o maior crescimento em termos percentuais ocorreu nas classes B e A, nas quais os rendimentos mensais estão acima de R$ 4,854 e de R$ 6.329, respectivamente. Cerca de 6,6 milhões de pessoas passaram a integrar o topo da pirâmide. De 2010 para cá, as estatísticas destacam um movimento mais forte. Desta vez, da classe C em direção à classe B (...)
*Ana D'Angelo e Victor Martins - Correio Braziliense
   

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